domingo, 19 de agosto de 2018

Meu querido mês de agosto

O cálido mês de agosto
Enche-nos de música
Que transpira noite fora
Nos bailaricos e concertos de verão
Soam dó-ré-mis ao longe
Dançam notas entre copos e amigos
Bebericam-se os sabores
Há muito conhecidos
Sem pressa, de sorriso completo,
Inspiram-se os cheiros familiares
De olhos fechados e mil vezes sonhados,
tragam-se os sabores da infância...
Sentados ali mesmo
Em barulhentas esplanadas,
Fazem nos viajar
Voltamos a passados
Que nunca deixaram de estar presentes
E a presentes memórias
Que voltam sentidas e quentes
Embalam a alma dividida
Calejada
Sedenta e imortificada pela constante saudade…
No querido mês de agosto
Voltamos a Ser raízes
E o ser que nos habita
Parece inteiro, concreto e definido!
Como se nunca mais houvesse princípio ou fim
Como se para sempre, fosse simples assim!

CFV

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Natureza morta
pensamentos escuros
contradizem-me
entre vozes mudas
de silêncios ensurdecedores...

Alma negra
ávida de infinito
sedenta que a luz entre
olhar adentro
num fim de tarde
num pôr de sol quente
a queimar os lábios secos
que atravessaram desertos
à procura incerta
do néctar dos deuses...

Natureza contraditória
que acompanha
um corpo inerte
habitado por mil almas vívidas
que até parecem ter um caminho definido
uma rota certa
como se fossem
almas sentidas
vividas
entre questões e reticências
entre desejos e fracassos
numa ânsia de mais
sem saber quanto
sem saber como
sem querer saber porquê
restando pedaços entre o sim e o não
num copo meio cheio
de fins de tarde
de dúvidas que se dissipam
em noites e luas cheias
de certezas enganosas
em gestos e formas
voluptuosas
que acalmam e trazem o perdão!




CFV

domingo, 13 de maio de 2018

Adormecida
num limbo longínquo
perdida

alma
caída

coração
pedra

olhar
gelado

lábios
murmurantes
feitos
de silêncio

nó de garganta
desfeito
lágrimas cortantes

corpo tenso
sorriso forçado
conversa fiada

por dentro
desmoronada
numa dor
intensa

mãos nervosas
tremem
o que não queremos
mostrar

vida
insana
perdida
mil vezes
adormecida
num precipício
que desde sempre
teima em acompanhar
neste fim por anunciar...

CFV




quarta-feira, 4 de abril de 2018

Terra Queimada

O verão trouxe o costume:
Ânsias dos fins de tarde
Em mesas redondas
De conversas a rodos
Com rodadas a fio...
Como se tudo estivesse
no lugar
Certo e concreto
Imenso e infindável!!

Mas este último verão
Avançou por outra estação...
E trouxe a terra queimada
E inundou o ar com os gritos
De quem ficava sem nada
De quem perdia a alma
A essência e o sustento...

Já foi lá trás...
Acabou o verão em pleno outono,
Chegou o inverno mais sedento que um deserto
E ainda sem se ter saciado
apareceu a primavera
Promissora como só ela é,
Mas agora,
Também ela traz este aperto no peito:
Estrada afora
A terra e as arvores ainda são carvão
Um cemitério
Onde até os arbustos
Desistiram de tentar
E a chuva que cai
Parece não chegar
Para sarar esta ferida aberta...

Quantas vezes mais
Serão precisas para fazer naturalmente
a coisa certa!?

CFV

quinta-feira, 8 de março de 2018

Março-Mulher

Resultado de imagem para dia internacional da mulherMulher!!
Luta! Luta incansavelmente!
Por ti, pelas outras, por todas!
Escolhe bem e faz-te acompanhar ainda melhor!
Rodeia-te das mentalidades que preferem o compartilhar
e não o subtil roçar na invisibilidade!
Mas não desistas das que não sabem ainda
o que é isso,
de ser Mulher,
das que nem sonham compreender
e das que se confundem
e tantas vezes escolhem perder
e fazer-te perder...

Luta!
Luta sempre!
Olha para trás e deslumbra-te
com o tanto
que tantas
antes de ti, conquistaram!
Porque nunca se calaram
porque nunca se assustaram
porque sempre viram com clareza
e quiseram mostrar
o que é isto de ser Mulher!

Luta!
que um dia
não haverá dia
que não seja
em todo o lado
o dia de todas,
todos os dias!

CFV



segunda-feira, 5 de março de 2018

Teimosamente desaparecida

Voltei...
mas ainda não me sei...
desde que morri,
ainda não me encontrei...

Teimosamente desaparecida
forcei a entrada
para a saída
de um mundo em vão
cheio de cabeças vazias
e corações empedernidos..

Cansei...
não sei...
mas não sinto vontade
nem acho que haja verdade
que chegue
para voltar!...

Espreitei
quase sem olhar
mas vi
um nada
como uma névoa
que envolve tudo e todos
e esse vazio
eu não deixo
não quero
não entra em mim...

Fico
escondida
num estado vegetativo
prefiro estar falecida
num mundo que há muito morreu
só que esse mundo ainda não se apercebeu!

CFV



terça-feira, 14 de novembro de 2017

Deixei de existir...

Deixei de existir...
um dia a música
não me fez tremer
o que me habitava
parecia crescido
a cabeça já não sonhava
o coração estava conformado...

Morri...
nesse dia fatídico
em que me tornei adulta
em que escrever
era impossível
e ler já não fazia sentir
aquela sede constante
a procura imutante
pelo não sei o quê
tinham desaparecido...

Perdi a meninice?
E os sonhos que nunca iria realizar?
E a vontade de criar
um mundo impossível?
E a esperança utópica de nunca deixar morrer
esta alma sem que ficasse quieta?

Se ela sempre teimou
sempre se recusou....
era alma para nunca aprender, para nunca crescer...

E eu já tinha sabido
como viver assim
com as perguntas sem respostas
eu conhecia -me
incerta e crente
inconstante e incorreta
imaginava-me
num para sempre inquietante
própria de menina-mulher...

Agora,
eu  não sou mais eu
perdi-me
e as mil almas em mim
parecem ter criado
uma só,
pragmática e chata!

CFV






terça-feira, 31 de outubro de 2017

E tudo o fogo levou

Resultado de imagem para incêndios viseuO meu mundo é negro
foi tornado assim
por gentes cheias de intenções
as dos boys
cheios de razões e sonhos feitos de cifrões!

Acreditavam que nada mudava
que o drástico seria esquecido
que o que interessava
eram os seus sonhos construídos de matéria
afinal, os seus cifrões é que eram coisa séria
mesmo erigidos numa mentira!

É certo,
do engravatado
ao novo-rico
do pobre de espírito
ao chico- esperto
do político de sempre
ao proprietário negligente
do mais presente
ao mais distante
do que nunca muda
ao que não quer saber
dos preocupados
aos cumpridores,
é de nós
é de todos NÓS,
esta culpa
que paira negra como o manto que
agora cobre a minha, a nossa terra...

Agora, é o tempo, que desde sempre nos habituaram,
da feira dos horrores,
porque: NÃO PODEMOS ESQUECER!

Só que, mais dia menos dia, sim...

Vão chegar as chuvas
o Natal e o frio de janeiro e fevereiro...
e quando damos por ela,
já ansiamos pelo calor de verão...
abril e maio trazem flores coloridas
e por essa altura
já muito foi esquecido...
senão tudo,
pelos bem intencionados
engravatados!

Agora, as fogueiras ainda ardem
dentro de quem se compadece ao ver...
dentro e fora de quem já não tem nada a perder...
Agora, ficou este cheiro a morte
um futuro cinza e negro
como o manto
que cobre agora a minha, a nossa, terra!

Mataram o meu e o teu verde manto
por ganância
por poder
sem saber
que daqueles montes e vales,
bem longe das mansões citadinas
dos boys vestidos de ilusões
dependiam milhares de vidas
que apenas sonhavam
com a simplicidade
que se toca a cada verão quente
a cada brisa com cheiro a água doce
que corria... livre e límpida...
a cada inverno gelado
que era aquecido
pela simples lareira a crepitar a lenha
antes apanhada
naqueles montes e vales...
Outrora tanto
e agora NADA!

As palavras choram
a perda
os olhos marejados
não querem ver
a cabeça lateja,
perdida
o coração bate
mais devagar e mais alto,
neste silêncio atroz
neste horizonte maior
que ficou negro...
a alma doída
parece um corpo retorcido
um tição queimado...

Tudo foi levado
ficou apenas o vazio!

CFV


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Noites

Somos noites feitas de fogo
luzes encandeadas
pelos olhares que
brilham intermitentes
num momento
que vira
instante
para sempre...

Somos sonhos
feitos de castelos
de areia,
reis e rainhas
a jogar num tabuleiro
onde todos estão parados
onde todos são peões...
Somos...muito mais isso... errados!

Somos seres de quereres
desfeitos
pelo instante de luz
que nos guiou
naquele momento
para a escuridão de sempre...

Somos luz que brilha
imperfeitos
mas focados
ao longe
na busca incessante
pelo momento
que nos guie...
noite adentro...

Buscamo-nos
nos sonhos
na luz que brilha
quantas e quantas vezes, mentira...
Pois que tudo o que é preciso
é perdermo-nos
é morarmos serenos
no escuro das noites que nos habita...
mais que luz, somos feitos de escuro
pois que a vida só pode ser vivida
no limbo,
com a garganta seca
e o estômago em nós
que as borboletas só voam de dia!

CFV






segunda-feira, 26 de junho de 2017

Se o mundo fosse poesia





Se a vida fosse poesia...
eram versos soltos num dia
e no outro
cruzavas só o que sentias!
Tocavas com dó
as dores do mundo
e transformava-las em risos
num fim de tarde sumarento!

Se o mundo fosse poesia
no meu,
não haveria mentira
muito menos hipocrisia..
Seria rima branca
que voava  livre e em segurança!
Cruzada!?
Só construída
só vivida e sentida!
Toda ela
liberdade
compreensão
verdade!

Se existisse só poesia
o sonho nunca morreria!
Um dia era rima interpolada
pululava alegria
brotava ironias e sinestesias
no outro
passeava lânguido e embriagado
de tão emparelhado com a fé!
Num abraço dado ,
transformavam o mundo no verbo
acontecer,
e já não eram só querer...
eram vontade realizada
eram desejo conseguido
e o mais obscuro
seria luz alaranjada de pôr de sol,
sem eufemismos,
caberia num copo meio cheio
néctar digno de deuses
que, adocicado,
beberiam num trago só,
todas as dores do mundo!

CFV

Só na saudade permaneço inteira

Deixo Viseu triste Sinto - o no cinzento que persiste  No frio fora de tempo  mas que o tempo insiste!.... Como ele,  Parto ensobrada Na sa...