Deixo Viseu triste
Sinto - o
no cinzento que persiste
No frio fora de tempo
mas que o tempo insiste!....
Como ele,
Parto ensobrada
Na saudade...
Sempre na saudade
Que me embala
Sentada em pensamentos vindos do tudo e do nada:
Olho por uma janela embaciada
E fico sem saber
se é da janela se é do tempo ou como vejo!...
Parto assim nesta ilusão de pensamentos
Que me partem o coração em mais uma viagem de ida!....
Que afinal, sou feita da chegada e da partida
Sempre ensombrada pela saudade...
Sempre a saudade...
Do cá e do lá
Do lá e do cá!
Inteira que sou
Partida me vou!
Olho Viseu na despedida
Embaciada
Perdida
De alma marejada
Embalada na pressa de chegar
E na dor de não poder ficar!
Parto na saudade
Na ânsia de matar outras saudades
Que o meu fado é este
Não há maneira!
Só na saudade permaneço... Inteira!
CFV






