sexta-feira, 30 de junho de 2023

Ondulando

 O tempo corre, corre sem parar!

Na despedida fico sempre dividida!

Quero correr para lá
E ao mesmo tempo ficar cá!
Assim vou, partida
Num eterno regressar!

Fica parte de mim contigo
E a outra levo a comigo
Envolta em saudade
Tanto de lá
Quanto de cá!

Levo o Mar e a Serra
Deixo o meu pulsar
Levo te a ti, a nós
Deixo te o meu olhar
Levo te em mim
Até ao lado de lá!


Deixo este ondular
Ai que falta já me faz!

Carrego a vontade de ficar
A ouvir apenas o mar
Levo a vontade de ir
E matar esta saudade
Que trago em mim
da terra quente
Do horizonte infinito
Dos serões tardios
Regados a amigos!

Deixo te cá e levo te comigo para lá!
Neste lá e cá
Estás presente a cada abraço
A cada sorriso
Neste eterno mar de saudades!

CFV

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Entardecer

 

Entardecer no meio das nuvens

A mergulhar nos tons laranja deste sol 

Que brilha por mim adentro... 

Lá em baixo uma colcha de algodão

Amanhecida num puro branco,

entardecida

numa mescla de laranjas e vermelhos

Expelidos pelo amarelo mais perfeito de sempre! 

Não me canso de fotografar... 

Esta luz que me 

Entra 

Pelo olhar 

Não posso parar 

De sofragar estes tons

Que clamam uma última vez

Cá de cima

Deste entardecer... 

Sinto-lhe os gritos dentro de mim

E toda eu sou um manto de nuvens 

Outrora branco

Agora raios 

de um laranja avermelhado

Expelidos pelo amarelo mais perfeito que já vi! 

Olho vezes sem conta antes da escuridão cair! 

Mergulho o meu olhar

uma vez mais, 

nesta imensidão

Antes de se ir! 

Olho sofrida

Para guardar 

dentro de mim

esta luz quente e inebriante! 

Quero a em mim

Como bússola 

Nos dias escuros como breu

Para (lhe) sobreviver

Para (lhe) escapar

Para voltar a poder contemplar 

A mais perfeita luz do entardecer! 

E saber

Que estás lá, 

Que cruzas o olhar 

Que és todo o meu ser!! 

E por isso, olho 

mais uma vez

Na certeza de te ver 

De te guardar no mais fundo de mim

Para que, 

nos dias negros

A luz, 

por mais ténue que seja, 

Nunca (nos) falte... 

Nem nunca (nos) faltem 

Perfeitos entardeceres!!! 

Só podes ser tu

A abraçar-me 

A acariciar-me

Com esses raios laranja avermelhados

Quentes e inebriantes!... 

E mesmo no fim,

Mesmo, 

Mesmo, 

Antes da escuridão emergir

Sempre

Os teus braços 

Mesmo, 

Mesmo, 

ao longe

Transformados em raios de sol... 

E mesmo frágeis,

Mesmo, antes da noite

São teus 

São raios de luz

Que mesmo lá ao fundo, 

Que menos brilhantes

Gritam dentro do que sou

Nestes amarelos impossíveis! 

E continuam a ser uma 

perfeita carícia

Numa perfeita sintonia!! 

Alcanças-me, 

Num abraço aconchegante 

Volto ao teu regaço 

Que é, agora, do tamanho deste horizonte

Pintado a vermelho-verão! 

Volto a ser menina de colo

Do teu colo

Que é agora esta imensidão! 

Volto a estar deitada 

na mais perfeita luz-memória

Na mais perfeita cama de algodão!! 

CFV


domingo, 9 de abril de 2023

Tradições


A tradição mantém-se, para ti e por ti!! 

Mas nunca mais será repleta de significado... Eras tu quem lho dava! 

Nunca mais terá as mesmas cores... Eras tu quem as fazia vibrar! 

Nunca mais terá o mesmo sabor... Eras tu quem o amassava!... A nós calhava degustar... e a Páscoa era sem dúvida, docinha... porque em tudo estava um pouco de ti, da tua alegria e da tua fé!!

A tradição mantém-se mas sem ti, não se sente o doce....porque há nele um amargo de boca, um travo amargo da falta que nos fazes e da saudade com que nos deixaste!!
A tradição é cada vez mais pequenina, os lugares na mesa assim o ditam!! 
Restam as memórias e este imenso amor que nos leva a ti, todos os dias!!

CFV

domingo, 26 de março de 2023

Luta


Que a vida possa ser celebrada nas pequenas e nas grandes vitórias!

Que possamos olhar sempre com luz, mesmo no mais escuro da vida!
Que possamos erguer e reerguer de cada queda, de cada tropeção, de cada solavanco, sempre mais fortes, mais nós, mais completas!
Que nunca nos esqueçamos de agradecer cada dia, cada momento, cada pôr do sol, na esperança da próxima alvorada!
Que a cada instante possamos saborear o melhor de nós, com os nossos, no abraço e na distância!
Que nunca nos faltem horizontes!!


Dedicada à minha amiga, que me ensinou o que é lutar e sorrir no mais escuro da vida! Grata!


sábado, 24 de dezembro de 2022

Dezembro...outra vez

O tempo, caprichoso

passa sem se importar

Mais rápido que nunca... 

Sinto- o nos dias que seguem em catadupa

Nos dias mecanizados:

Eles passam e não marcam... Escapam! 

E mais, muito mais, 

Nesta tua ausência  

Agora, estás mais presente! 

É uma ausência que se divide

Dentro do que fui antes de teres partido

e do que restou depois de ti! 

É Dezembro...outra vez... 

As luzes, o frio, a manta quentinha

E como sempre

O natal a chegar...  

Sem ti, quando era teu! 

A minha mente voa 

Numa tentativa de evasão

Mecanizando os dias deste tempo que 

Se tornaram num inverno gelado e permanente

Numa dor imutável

Constante...

Cumpro as tradições

Partilho sorrisos 

E brindo à magia de época... 

Mas só eu sei

O quanto custa

O quanto tudo isso me é arrancado à força...

Nas memórias deste tempo tão teu

Mantenho te viva

Na tradição que eras tu

Mereces que o faça

A saudade é maior porque 

Estás em todo o lado

E em contradição

Mantenho te nesta dor. . . 

É mais um dezembro sem ti

É mais um natal sem ti

Quando estás tão dentro de mim! 


CFV

segunda-feira, 18 de abril de 2022

noites escuras

Em tempos de renovação
De primavera
De ressureição
A morte espreitou
E com ela 
Trouxe a sua dor...
Renasceu 
Espetou a sua faca
E revolveu entranhas
Soltou lágrimas 
Que correm
Sangue abaixo
Num temor familiar!... 

Numa época de flores
Muitas jazem
Em campos de mármore
Em quadrados de pedra!... 

Em tempos de reencontros
De visitas
De abraços
Falta (sempre) um de nós!
A falta que faz
O teu par de braços
O mais belo dos sorrisos
O melhor dos encontros
O mais genuíno de nós!... 

Em tempos de luz
O sol acalenta 
a pele regojiza
Mas cá dentro
Num canto profundo do coração
Bem lá no fundo
Apesar da luz e do calor destes dias
Mantém - se escuro
E sofre de inesperados calafrios
E permanece só.... 

Esse canto fundo
Aparece melodioso
Inesperado
Numa canção de embalar
Num ténue sofucar
Num escurecer devagarinho
A contestar 
Todas as certezas do mundo
A relembrar
Que no mais claro dos dias
Cabe a maior escuridão
E que noite fora
Se pode sonhar clarinho, clarinho... 
Que no dia mais radiante
A dor aparece
E do nada
O dia é noite
Um breu... 
Resta -nos crer
Que por mais escura 
Que por mais Fria
Que por mais dolorida
que seja a noite das nossas vidas
Haverá sempre um raio de luz
Que nos guia
Um raio de sol
Que nos arranca pra vida
Que nos ilumina
Que nos acalenta
Para mais um dia! 

CFV



sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

O tempo, se passa, não o sinto

 Já não sei falar
a minha voz calou a caneta que me discorria ...
já não sei escrever
a minha caneta calou o grito que me descobria..
Só sei o que é a saudade...de Ti

Não a posso silenciar!
só sei o que é a dor
de não estares comigo...

Não a posso apagar!
Então só sei falar
de Ti!

Mas sem falar contigo...
Não sei falar contigo!
Nem em voz alta nem em surdina!...
(De coração, Perdoa-me!!)
Visito-te na minha memória
percorres- me
a toda a hora
mantenho-te viva
nas tuas e minhas rotinas!...

Só ainda não aprendi
Ainda não sei como falar
para Ti
como te transformar numa oração...
(De coração, Perdoa-me!!)

O tempo, se passa, não o sinto
porque dói hoje como ontem...
O tempo, se passou, ainda não me ensinou
como viver sem Ti...
A vida corre num limbo
onde pouco ou nada mudou!

CFV

domingo, 28 de março de 2021

Lua 🌚

Dança nua na sua Altivez... 
Livre como sempre e para Sempre! 
Brilha lá do alto
Altiva
Sozinha 
e, ainda assim, 
Segura de Si! 
Ilumina tudo e à sua luz somos todos Pequenos Seres, simples sombras! Limitamos nos a vislumbrar e a sonhar... encandeados pela sua imponência, desejamos, em surdina, ser um dia assim, Nua, Livre, Crua e Sempre, para Sempre, Luz! 

CFV

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Longe

É o costume... 
É o longe que me volta a cercar
É a saudade que volta a atacar
Nada de novo, portanto, 
É o costume... 
É a iminência de voltar
Ou será de regressar? 
Tudo se confunde
O início é o fim
O ir é o voltar
O cá é o lá... 
Em tudo
Reside o vazio
A distância
Tu
Nós
O longe 
que se faz perto
E uma vez lá 
a saudade do cá... 
Em mais uma volta 
Em mais uma viagem... 
Deixo um pouco de mim
Levo tanto de Ti
E marejam os olhos
Com as lágrimas salgadas... 
Do mar 
Que me volta a rodear... 
E cá
Que falta me fazem as ondas
A bater na rocha imponente
E o horizonte
Feito de infinito
Num imenso mar à vista... 
E uma vez lá
Ai a falta que faz
A planície entrecortada
De pequenas e grandes montanhas
Sem mar à vista... 
Ai que saudade sinto já
Deste lado de cá
De horizonte chão
Sem fim à vista.. 
Ai que vontade 
Das quatro estações
Num dia só
Somente na ilha que me acolhe
Do meu porto seguro
Feito do teu sorriso
Dos teus lábios
Que sabem a sal e a sol
Que me alimentam
A vida
Feita de distâncias
Desenhadas em mim
Como montanhas
E planícies
Com a Serra à vista... 
Que me salgam 
Esta alma sempre dividida
Em mil
Sóis
Só possível por ti
Feito das ondas
Desse teu mar! 
E uma vez lá
(Ou será cá?) 
Sofro 
Como sempre
De lonjuras
Do cá
(Ou será do lá?!) 
Que tanto pode ser feito
De infinito chão
Como de infinito mar... 
É igual
Dói igual
Aperta sempre
Este coração! 

CFV


quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Natal por ti!

O segundo... 
O segundo Natal
Sem ti... 
E por ti, 
Voltei a Nossa Casa
Decorei-a, 
Para ti
Esperando que ali estivesses comigo! 
A árvore, 
Voltou a cintilar... viste? 
Como eu desejei ter-te ali
Mesmo sem te ver
Só saber-te ao meu lado... 
Dói muito olhar para o teu lugar vazio... 

Amassei a massa, foram os teus braços? 
Cortei o pão
Fritei as filhoses
E as rabanadas... 
Não ficaram más... 
Mas... 
Nunca ficarão como as tuas... 
A consoada
Foi com a ementa do costume
Feita ao lume... 
A mesa, essa, 
está, irremediavelmente, 
incompleta...
Arde a tua ausência
Intensamente
dentro de cada um de nós... 
E só desejava, ao mesmo tempo, que só recordava, 
O teu sorriso
Tu ali sentada
Depois de consoar
No banco de madeira
De olhar feliz
De missão cumprida... 
E só pensava, 
Como éramos mais
Éramos inteiros... 
Éramos mais 
Só contigo... 
A decoração emanava a tua luz
Única, claro! 
Na árvore e no presépio reinava uma fé
Inabalável, 
Só tua, tão tua que, 
Os doces eram mais doces
O jantar era mais farto de um amor 
Teu, tão teu! 
E... 
Éramos mais... 
Inteiros
Felizes, 
Mais Família... 
Só contigo
Éramos mais, mãe! 

Feliz Natal! ✨

CFV

Só na saudade permaneço inteira

Deixo Viseu triste Sinto - o no cinzento que persiste  No frio fora de tempo  mas que o tempo insiste!.... Como ele,  Parto ensobrada Na sa...