sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

O tempo, se passa, não o sinto

 Já não sei falar
a minha voz calou a caneta que me discorria ...
já não sei escrever
a minha caneta calou o grito que me descobria..
Só sei o que é a saudade...de Ti

Não a posso silenciar!
só sei o que é a dor
de não estares comigo...

Não a posso apagar!
Então só sei falar
de Ti!

Mas sem falar contigo...
Não sei falar contigo!
Nem em voz alta nem em surdina!...
(De coração, Perdoa-me!!)
Visito-te na minha memória
percorres- me
a toda a hora
mantenho-te viva
nas tuas e minhas rotinas!...

Só ainda não aprendi
Ainda não sei como falar
para Ti
como te transformar numa oração...
(De coração, Perdoa-me!!)

O tempo, se passa, não o sinto
porque dói hoje como ontem...
O tempo, se passou, ainda não me ensinou
como viver sem Ti...
A vida corre num limbo
onde pouco ou nada mudou!

CFV

domingo, 28 de março de 2021

Lua 🌚

Dança nua na sua Altivez... 
Livre como sempre e para Sempre! 
Brilha lá do alto
Altiva
Sozinha 
e, ainda assim, 
Segura de Si! 
Ilumina tudo e à sua luz somos todos Pequenos Seres, simples sombras! Limitamos nos a vislumbrar e a sonhar... encandeados pela sua imponência, desejamos, em surdina, ser um dia assim, Nua, Livre, Crua e Sempre, para Sempre, Luz! 

CFV

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Longe

É o costume... 
É o longe que me volta a cercar
É a saudade que volta a atacar
Nada de novo, portanto, 
É o costume... 
É a iminência de voltar
Ou será de regressar? 
Tudo se confunde
O início é o fim
O ir é o voltar
O cá é o lá... 
Em tudo
Reside o vazio
A distância
Tu
Nós
O longe 
que se faz perto
E uma vez lá 
a saudade do cá... 
Em mais uma volta 
Em mais uma viagem... 
Deixo um pouco de mim
Levo tanto de Ti
E marejam os olhos
Com as lágrimas salgadas... 
Do mar 
Que me volta a rodear... 
E cá
Que falta me fazem as ondas
A bater na rocha imponente
E o horizonte
Feito de infinito
Num imenso mar à vista... 
E uma vez lá
Ai a falta que faz
A planície entrecortada
De pequenas e grandes montanhas
Sem mar à vista... 
Ai que saudade sinto já
Deste lado de cá
De horizonte chão
Sem fim à vista.. 
Ai que vontade 
Das quatro estações
Num dia só
Somente na ilha que me acolhe
Do meu porto seguro
Feito do teu sorriso
Dos teus lábios
Que sabem a sal e a sol
Que me alimentam
A vida
Feita de distâncias
Desenhadas em mim
Como montanhas
E planícies
Com a Serra à vista... 
Que me salgam 
Esta alma sempre dividida
Em mil
Sóis
Só possível por ti
Feito das ondas
Desse teu mar! 
E uma vez lá
(Ou será cá?) 
Sofro 
Como sempre
De lonjuras
Do cá
(Ou será do lá?!) 
Que tanto pode ser feito
De infinito chão
Como de infinito mar... 
É igual
Dói igual
Aperta sempre
Este coração! 

CFV


quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Natal por ti!

O segundo... 
O segundo Natal
Sem ti... 
E por ti, 
Voltei a Nossa Casa
Decorei-a, 
Para ti
Esperando que ali estivesses comigo! 
A árvore, 
Voltou a cintilar... viste? 
Como eu desejei ter-te ali
Mesmo sem te ver
Só saber-te ao meu lado... 
Dói muito olhar para o teu lugar vazio... 

Amassei a massa, foram os teus braços? 
Cortei o pão
Fritei as filhoses
E as rabanadas... 
Não ficaram más... 
Mas... 
Nunca ficarão como as tuas... 
A consoada
Foi com a ementa do costume
Feita ao lume... 
A mesa, essa, 
está, irremediavelmente, 
incompleta...
Arde a tua ausência
Intensamente
dentro de cada um de nós... 
E só desejava, ao mesmo tempo, que só recordava, 
O teu sorriso
Tu ali sentada
Depois de consoar
No banco de madeira
De olhar feliz
De missão cumprida... 
E só pensava, 
Como éramos mais
Éramos inteiros... 
Éramos mais 
Só contigo... 
A decoração emanava a tua luz
Única, claro! 
Na árvore e no presépio reinava uma fé
Inabalável, 
Só tua, tão tua que, 
Os doces eram mais doces
O jantar era mais farto de um amor 
Teu, tão teu! 
E... 
Éramos mais... 
Inteiros
Felizes, 
Mais Família... 
Só contigo
Éramos mais, mãe! 

Feliz Natal! ✨

CFV

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Em Casa!

O tempo não voou,
Foi lento e caprichoso
Neste tempo que
Por fim passou! 
Acabou a espera
E o peito regogiza se
Mal cabe nele
De tanta alegria
Ao pisar a terra seca
Que me criou
A sentir com todos os poros
A infinitude
Que há muito
O olhar não via
A degustar devagarzinho
Cada trago
Deste horizonte
Que se perde para lá 
Do que a vista pode alcançar
Acalma ao inspirar
Este calor seco
Que me viu crescer
Em mais um regresso a casa! 

Volto ao lar que continua a ser nosso
Porque nunca te foste, verdadeiramente, embora.. 
Moras na nossa memória
Para sempre! 
E nos seus recantos moram as tuas gargalhadas
Que ainda ouvimos 
Que ainda sorrimos... 
É para ti que sempre regresso
E és tu o meu alento
Num tempo que foi
Parado de mil incertezas
Que agora finda
Nesta viagem repetida
Nunca como agora
Sentida
Que acalenta
Mais do que nunca
E que me traz de volta a ti, 
Que és para sempre o nosso lar! 

Agora é tempo
De o tempo
Andar
Bem devagar! 

CFV

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Pandemia

Tudo ficou longe demais
Tudo o que nos define ficou de repente indefinido
Tudo o que somos paira nesta incerteza interminável... 
Já não há esperança no "vai ficar tudo bem"
Falta-nos o melhor de nós, 
Os olhos nos olhos
Que falam mais do que mil palavras
Mesmo no silêncio...
E falta-nos também o silêncio
que junto dos nossos é apaziguador... 
Já não há pensamento positivo que nos apare
Esta queda livre de emoções... 
O horizonte global é de de dor... 
De repente somos todos uma ilha
E nenhum homem é uma ilha... 
As pontes ficaram vazias
As estradas ficaram por percorrer
E quantos abraços por dar
E quantos sorrisos se perderam
E quantos beijos se calaram... 
Não, não está tudo bem
Está tudo em suspenso
Num limbo esgotante
E bola para a frente
Em dias cada vez mais iguais... 
Em horas cada vez mais intermináveis... 
E o tempo passa 
Passa por nós 
Sem se importar
E fica em cada um de nós
Esta inquietação
Esta vontade de gritar
De uma espera que desespera
De um começo sem fim à vista... 

O mundo globalizado
Tecnológico 
Digital
À distância de um clique
Não me serve
Não me traz 
Os fins de tarde 
regadas a gargalhadas
No regaço dos amigos... 
Não, não me serve
Esta saudade imensa
Este aperto que sinto a toda a hora
Quando penso que a distância 
Teima em não acabar
E me tira o aconchego 
Que havia no ir e voltar... 
Não, não me serve
Esta dor que trago no peito 
Desfeito 
Pela lonjura
Que já queima
E me transfigura... 

CFV









sábado, 25 de janeiro de 2020

voava como hoje voo para ti

Voava como ainda hoje voo para ti... 
O tempo não estava do nosso lado
E eu não podia imaginar... 
Hoje o tempo mudou
dói muito ao passar! 
Corria o mais que podia
E não chegava nunca quando queria! 
Hoje procuro te igual
Vejo te nos pormenores
Dentro do que sou
Na voz que me acompanha 
Dentro e fora de mim... 

Voava pra te abraçar
E ainda achava 
Que te ia resgatar
Que encontraria o teu sorriso de sempre... 
Encontrei te numa despedida
Que recusava aceitar! 
Encontrei te
E perdi me neste labirinto 
Vazio que deixaste... 
Há um ano
Havia uma esperança fugidia
A que me agarrava
Enquanto te despedias... 

Hoje estás comigo
Desde antes de acordar
E ainda assim, parece que
Não te consigo falar... 
Perdoa-me... 
Escrevo te então
Para que saibas
A falta que nos fazes
Que todos os dias são saudade
Que todas as noites adormeço 
Contigo, 
Em ti, 
no pensamento 
E de coração pesado
Com o teu sorriso límpido
A tua gargalhada de luz
E vejo te sempre sem parar
No que foi o nosso lar... 
Escrevo te para te lembrar
Que continuas a nossa bússola
Que a tua luz nunca se apagará
E que nada apaga
A vontade de te voltar abraçar... 

Há um ano voava para ti
E tu iniciavas a última viagem
Abracei te uma última vez
E continuava a esperar (te) 
Que tudo não passasse de um pesadelo
Uma pedra no nosso sapato
De que haveríamos, mais tarde, 
falar e recordar o quanto precisamos de nos cuidar... 
Mas o tempo não estava  do nosso lado....

Eu voava para te resgatar
E tu (me) esperavas para poderes partir... 
Dessa tua última viagem
Fica o frio intenso
Que se estranhou nos ossos
Dias de incredulidade
Que ficou a pairar nas nossas almas
Num silêncio novo
Que gelava ainda mais 
Esta dor para sempre...
 
CFV

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Nunca mais será Natal II

Foi natal
Mas não foi Natal,
Passou se...
Por Ti,
Mantivemos a tradição,
Com menos filhoses
Feitas com um aperto no coração
Com menos um prato à mesa
De um bacalhau sensaborão
e o bolo-rei sem graça
Em tudo faltou o q.b.,
que só a mão de mãe sabe dosear!
Tudo foi feito, para Ti, por Ti...
Parece- me impossível que eu só
Tenha conseguido tanto...
Na hora das prendas
Faltou a maior, a mais importante,
A tua gargalhada
E o olhar
de quem olha com
Alegria de ver reunida,
O que te era mais querido,
A família...
E faltou o tirar o avental para a foto
Que nunca ficava bem
Dizias, era o cabelo,
Ou era a expressão,
Repetias...
E tirávamos mais uma
E outra...
E em todas ficavas perfeita...
Se soubesses!!!
Emanava de ti
Um amor infinito
E ao olhar a foto
Quase o podia tocar
Tal era a sensação de aconchego
E ao olhar a foto
contemplava esse teu sorriso
E quase se podia agarrar
Essa ternura,
Que ao fim e ao cabo
eras tu
Toda!

Neste natal
Partilhámos silêncios
Contigo na memória
Olhares de tristeza
E nem uma história
Numa mesa cheia de saudade
A segurar o nó que calava
A voz,
E a lágrima,
sempre à espreita
E o grito,
apertado no peito!
Agora, sei que
Nunca mais será Natal!

CFV

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Não será mais Natal

Diz que cheira a canela e açúcar
e as cores não enganam,
diz que há Natal a cada vislumbre...
Mas, cá dentro 
continua este bater de coração
num peito apertado
num corpo letárgico
numa soma de dias e dias
deste silêncio atroz...
O pensamento voa
e num tarda
voo eu no regresso do costume..
Há vontade de ir
e há a vontade de ficar...
diz que cheira a Natal
a família
a alegria
mas cá dentro
há um nó que não desata...
há um sorriso mecânico
uma máscara que esconde o vazio!
Nunca mais será Natal
sem Ti!

Não haverá mais canela suficiente
ou açúcar que chegue...
as luzes perderam o brilho
a família perdeu o sentido
a alegria foi contigo...
não haverá nunca mais
Natal
porque não haverá mais
massa amassada com o teu amor
ou bolos com a tua doçura
porque não haverá mais
esse sorriso que nos aquecia
e essa energia
que, incansavelmente,
deixava tudo perfeito...

Não haverá mais Natal
sem Ti!

A mala está feita
mas a magia desfeita
a viagem está traçada
será impreterivelmente feita
leva-me ao destino do costume
regresso inteira mas de alma desfeita
regresso ao que nos resta
às memórias
às histórias
à família incompleta...
só que agora
de coração mais partido que nunca...
A tua ausência será a nossa primeira memória 
numa época que inevitavelmente nos levará a Ti!

Mas não será mais Natal
sem Ti!

CFV








quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Memória 
De uma trajetória
Que dói
Constantemente
Que chega
Galopante
Como uma chapada na cara
Sem dó
Sem aviso
Com a força que te deita abaixo
Numa queda desamparada
E te transporta para onde não queres voltar...
Há um ano o caminho impreciso
Levou- nos para um trilho sem volta
Há um ano ainda não sabíamos
 a dor começava
 Mas a esperança
 ainda que meia torta
pairava...
A dor, essa,
Haveria, primeiro, descer devagarinho
Qual noite escura e fria,
E depois,
Galopante,
Ofegante
Qual queda funda que só haveria de terminar
Sem mais capítulos...
Há um ano, contudo,
O otimismo ainda nos abraçava
Mesmo com o pequeno nó na garganta
Que, por vezes, nos inundava
Que haveria de nunca parar de crescer 
muito para lá das entranhas
Que haveria de permanecer
Sei-o agora,
Nunca mais irá embora!
Nesta ânsia 
Há um ano corria para ti
Na ânsia de te ver
Como se eu tivesse um super poder
E que se voltasse ao teu regaço
E sentisse novamente
O teu maravilhoso abraço
Tudo não passasse de um susto
Um tropeção de mau gosto
Mais umas pedras no caminho
Que juntas haveríamos de as atirar pra outras margens...
E voei não tão depressa quanto a minha vontade
E encontrei mais do que o teu sorriso
A tua gargalhada límpida
O teu "não era preciso vires"
Cheio da nossa Saudade
Que tão bem aprendemos a matar
Uma e outra vez
Seguida de mais uma despedida
Cheia de um certo e reconfortante "até já"!
Ainda eras Tu
Ainda eras luz
Ainda eras Força (a minha e a tua)
Ainda eras Alento 
Ainda eras a Alegria
Que animava aquela enfermaria!
Cheguei e fiquei tão cheia de esperança
O meu sorriso era o teu
Entrecortado pela ligeira preocupação...
Apesar do medo que descia
Que haveria de se instalar
Qual convidado mal educado
E como que para o espantar
Perdi me no teu olhar 
E vi, ali,
uma vida cheia de tanto
E a tamanha sorte que eu tinha
Por te ter, Mãe
Por te ter como Mãe
Por teres sido tu
A minha Mãe,
Percebes?
Ali, naquele momento
Sentada a teu lado
Emanavas esse Amor de Mãe
Que tudo cura
ali, naquele momento,
Dentro dos teus olhos
Do teu sorriso
Nas tuas palavras sábias
O mundo pareceu serenar
E por um momento
Vencemos o medo
Tudo iria ficar bem
Iamos voltar a ser 
Lar
Família
E tu o nosso Pilar!
Guardo a dor da tua partida
Quando só queria
Que o tempo tivesse parado
Como naquele dia
Naquele momento
Ali, onde tudo ainda era possivel!

Fazes tanta falta!

CFV







Só na saudade permaneço inteira

Deixo Viseu triste Sinto - o no cinzento que persiste  No frio fora de tempo  mas que o tempo insiste!.... Como ele,  Parto ensobrada Na sa...