sexta-feira, 7 de março de 2014

Era um desencontro, por favor!!

"Por favor,
um café e um desencontro!
Pode ser?"

Podia ser!
Era assim um desencontro do mundo
ou de mim mesma!
Era sair e largar tudo
Era seguir
ir e sentir
só o que o coração pede!

Pede que voe livre
ser pássaro
ou nuvem
Pede que voe livre
ser raio de sol
ou gota de chuva...
Pede para ser
simplesmente ser!
Simples!

"É um café, por favor... bem tirado!"
(humm... simplesmente complicado...)

E já agora uma pele nova, novinha!
E se faz favor,
um número acima!
Esta começa a apertar
as veias começam a sufocar
e o sangue precisa correr
o coração tem de bater...
asas
para um dia voltar a ser
livre pássaro
raio de sol
gota de chuva
caída de uma nuvem...

"Uma bica, nem muito curta,nem muita cheia!
Meia!"
O bastante para num abrir e fechar de olhos
sentir o sabor de desencontros!

CFV

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A DESDITA


Palavras pequenas e silenciosas
perdidas e soltas
entre dois olhares desencontrados!
Palavras presas
às convenções, aos medos...
Palavras- prisões,
barreiras edificadas
em silêncios gritantes!
Constante sufoco entre soluços
silêncios que gritam e nos prendem
dentro do que não queremos ser
mas dentro do que somos!

Palavras que vão passando da hora, 
palavras que vão e não voltam
palavras inacabadas,
que provocam ,
que matam como espadas, 
trespassam muros 
erguem ruínas 
e para tudo isto
bastam palavras..
pequeninas...

Não passamos de desejos frustrados
de palavras surdas-mudas...
Erróneas palavras
vagueando entre almas condenadas 
que só conhecem a certeza do silêncio
e nessa certeza
pairam como mortos-vivos
cheias de gritos mudos e quietos!

CFV

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Janelas embaciadas


Pela janela embaciada
ofuscam-se sonhos e
buscam-se respostas!
Lá fora a chuva canta, 
melodiosa,
cá dentro um tumulto, 

de dúvidas...
e como elas gritam!
Cada dia mais certas 
cada dia mais perto...
Premonições anunciadas 
em janelas embaciadas!

Do lado de lá 
estarão os sonhos a desmoronar-se?
Já sinto os porquês a chegarem-se

cada vez mais confortáveis...
pois...eles não costumam fazer-se de rogados!Não!

A janela embaciada 
deixa apenas imaginar
uma chuva vertical e graciosa...
porque o sonho,
esse foi-se,
em esperanças fugidias 
em medos sentidos,
em vontades perdidas..
em dias assim,ofuscados e escuros, 
embalados cá dentro,
por esta melodia chuvosa!

E as certezas de outrora,
por ora,
são apenas gotas 
que caem lá fora 
num ping ping ping choroso...


CFV


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Contradições

Num momento a primavera anunciada.
o sol que brilha sorridente por entre folhas e flores
um despontar de esperanças e sonhos como se o hoje fosse para sempre...

Mas o para sempre não passa de um desfado, de emotivas promessas!
Desfaz-se em pedaços de nadas que até pareceram tudo..
Porque o amanhã será sempre uma montanha
de emoções, sensações e contradições que confundem realidades e corações!

Num instante aquela primavera
não passou de um anúncio
que não se cumpriu...
um hoje que se partiu...
um sonho...
pedaços de uma sensação que, em tempos pareceu, uma realidade...
para sempre!

CFV

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sinas

A minha sina
é viver assim
sem saber
quantos destinos
se cruzaram,
o que  me calhou
que dor me enfeitiçou!

Não sei, ainda,
quanta saudade sentirei
quanta raiva gritarei
quantos silêncios derrubarei!

Sei pouco,
sinto muito...
Um peso- pesado, esta alma!
E volta meia volta
volta ao mesmo labirinto...
sozinha no meio destas sombras
que constroem a minha vida
caminha sem destino
mas
de olhar fixo na distância
um horizonte longínquo,
inócuo...
pequenino!


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Faltas Tu

Entre o lá e o cá fica a saudade
ficam vazios em dias longos
e frios...
É estar e não estar...
sonhar um dia
e desistir à noite...
porque "todo o mundo é composto de mudança"
e nesta coisa da distância
o que mais há e ausência e pouca constância!
Porque é ser ou não ser o cerne da questão!
Falta a certeza de uma mão
que segura todas as dúvidas certas
e muitas certezas que vêm e vão
a medo...
Falta o fim e o caminho
sempre contigo !
Basta! Já basta que seja
percorrido sempre sozinho...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Distante mente

Que bem cantas
a saudade
a distância
como que, enganas a dor
e fazes desaparecer este torpor!

Cantas a saudade
e ela entra de mansinho!
Ouço-a,
devagarinho,
entranha-se
mas depois, já sei como é:
é com gana que ganha
pedaços do que sou e do que fui
abraça-me a alma,
e por lá permanece!
Não sobra um canto que seja,
afinal, quem melhor a conhece?
Entre nós não há vergonhas ou pudores,
cantos obscuros, quanto mais obscuridades...
só ela consegue destruir todos os muros
edificados de medos e de saudades!

Saudade cantada
companheira presente
esta constante ausência anunciada!
Uma premonição que vem, sempre de longe,
teimosamente e sempre de longe...
Soa a uma nostalgia adormecida
a uma imensidão que vai e vem ao sabor das ondas...
e faz correr lágrimas salgadas
só de pensar que vai voltar...
o mar
o longe,
a saudade e a solidão
de dias e noites à espera de poder regressar!

sábado, 22 de junho de 2013

Labirintos de mim

Dói me a alma toda
não sobra nem um cantinho
contorso- me de dor por dentro...
quero voltar a adormecer
e simplesmente deixar de sentir,
esquecer o que ainda está para vir...

Existir
às vezes torna-se uma doença!
Corrói
lentamente o que nos resta,
vai -se a esperança
vai -se a fé
nada muda
tudo se repete como um labirinto!

Dói saber-me assim...
dentro de mim
morreram vidas
fugiram risos...
agora,
dentro do que fui
resta o pior de mim!

Sou
o que não quero ser
não posso voltar mas
também não consigo avançar...

Estou presa dentro do que sou
vejo o monstro que há em mim,
crescer!
E,
lentamente
sente-se aquela dor avançar
e depois, é um instante:
e a luta morre
e a fé foge
e a alma afoga-se...
de repente
fica escuridão presa em mim
um adamastor volta a naufragar-me de medos
e o que resta é um imenso mar de desassossegos!

CFV








sexta-feira, 14 de junho de 2013

Odeio sim,
penso com raiva
sinto desprezo,
e olho-me com arrependimento!

BATIDAS

Tenho em mim todos os defeitos do mundo
não sei por onde começar..
a meio do caminho parei
e tudo piorou
agora o nevoeiro é permanente
a minha cabeça fechou-se
desistiu
preferiu esquecer...

Mas dói saber - me assim
olhar me por dentro
e ver o coração a afundar
uma alma pequenina
cada vez mais pequenina
no meio de um coração a bater
maus pensamentos
batidas egoístas
desconfianças em uníssono...

ganha este coração desajeitado
ganha sempre este coração malfadado!

Só na saudade permaneço inteira

Deixo Viseu triste Sinto - o no cinzento que persiste  No frio fora de tempo  mas que o tempo insiste!.... Como ele,  Parto ensobrada Na sa...