segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"Só é fogo se queimar..."

"Só é fogo se queimar..."

Arde sempre
esta tamanha vontade de ficar
quando se quer tanto partir...
Queima lentamente
o que me fazes sentir
quando te olho adormecido
numa última lua
que brilha como quem brinda
à minha e à tua...

Que seja à nossa!!!

E o vento chama pela minha gente...

Dentro
nada acalma
e lá ao fundo a música canta
o que me vai tão claro na alma:
"Só é Felicidade enquanto durar..."

É o costume,
é certo!
mas dói... lentamente... sem se apagar
este ir e voltar
toldado por um simples, se calhar!...

CFV

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Marés

Num tempo que se entremeia 
entre o cá e o lá,
o coração bate incerto
entre a saudade e a ansiedade,
no fim de um tempo
que inicia um outro...

E sempre, sempre
esta espera
este medo
o voltar
o ir
para cá ou para lá!

Dividida 
partida
vivida
em mil alegrias
doída
perdida
vencida
mil vezes mil,
nesta saudade
sempre agarrada à  ansiedade...

O que virá?
Como será?
Voltará o mar?

Que esta alma já ganhou guelras
não respira 
sem o ouvir bater nas rochas
numa corrida tempestuosa
entre ventos e marés...

Que este olhar 
já ganhou um novo horizonte,
já só vive procurando tempestades 
para entardecer soalheiro,
entre mil cores e mil cheiros
trazidos por ventos viajados,
desde longínquos marinheiros
às mil e uma noites traiçoeiras
e aos mil cantos perdidos e achados...

E chega, assim, cheio de mundo
para nos embalar nessas lonjuras 
conhecidas e desconhecidas
de vidas idas
sem tamanho...
e traz-nos à lembrança
esta saudade ansiosa
do que está lá,
e do que está cá!


CFV


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Conformar o inconformismo

Cresci no inconformismo
numa adolescência interminável
a recomeçar dia após dia,
na revolta escura das noites claras...

E esta sede que me não passa
E esta sede que não me seca!

Alma nascida submersa
e crescida num sufoco
num corpo apertado
sem nunca ter passado
de invólucro...mil vezes inerte...

Fui sempre esta fome de ser
sem saber quem ou o quê!

De mil formas procurei viver
perdi-me entre mim e as luas
que me pareceram sempre cheias
nessas muitas lutas!

Queria outra de mim
encontrei-me em mil
despedacei-me mil vezes mil                                          
e coexisti com todos os mil eus
nessa luta de me encontrar una...

Apenas me desencontrei...

E que mais serei?
Se só me conformo
no inconformismo,
no que penso que preciso
para depois de alcançado ser jogado
qual brinquedo sonhado...

O que me interessa
estará sempre
além
longe
do que posso tocar
perto
só o sonho
o que não tenho
o desejo
e o viver neste
desavesso...

Imaginar só o que a vida não é
saborear o que não conheço
porque o que me segura
é esse querer
a procura
incessante
de um falso encontro
num contínuo almejar
sem quebrar
esta fome que me ataca as madrugadas
e esta sede que mantém viva a luz
de dias e dias
e me encontra perdida entre mundos!

CFV


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Da minha varanda

À minha varanda chega o horizonte
feito de cheiros e cores...
Da minha varanda começam e acabam os dias
de olhos postos nessa linha indefinida
que tanto aqui começa
como aqui acaba!

O horizonte começa na minha varanda
com um olhar só
e tudo em mim
se confunde
com o lá
que estranhamente
me traz de volta para cá!

Voo entre mil sóis
encontro outras tantas luas
e perdida me encontro
entre o cá e o lá
ou lá e cá.. já não me sei!

Sei, sim,
que é essa linha invisível
que me traz num para sempre dividida
numa eterna saudade
construída em memórias
que permanecem vívidas
destruída em histórias vividas
amainada pelas conquistas doídas
e endiabrada pelas ilusões
que acabaram em mil perdões!

Neste olhar longínquo...
o presente continua a bater-me no peito
a fazer o pouco de mim
um pouco de gente!

Nele cresce o horizonte de uma varanda suspensa
que me perpassa a alma
ou o pouco do que dela restou,
que há muito se afogou
neste mar que vive e morre em mim
ao sabor de marés e luas
de dias e noites que luzem
o lá e o cá!!

CFV


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Inquietante

Inquietante
uiva o vento...
bem dentro do que me constrói
numa desconstrução nascida comigo
desde sempre e para sempre...
hábito que me habita
desde que me sinto!

Desesperado
grita o vento...
como se ninguém o ouvisse mas...
precisasse com a urgência
de quem tem pouco tempo
para dizer tanto!!

Murmura,
desistente...
cada vez mais longe
numa solidão urgente
porque o mundo teima em não ouvir
e o que sente
prefere deixar morrer
em surdina
no silêncio
de quem vive adormecido
a perder,
sem compreender ou  sem olhar com ouvidos de gente
numa última tentativa que a vida
não siga vazia..

CFV


domingo, 10 de abril de 2016

Doce horizonte

De alma adocicada
os olhos veem mais longe e
há mais luz ao desfolhar
as páginas que nos fazem viajar
entre o ontem e
a vontade do amanhã...
Será feito
de sorrisos quentes...
de momentos inesperados...
no fim vai sempre saber
a gelados,
aos inícios e ao fim do verão,
à busca incessante de um pouco de ilusão...
Que só assim a realidade é sonho
Que só assim se pode sonhar com sentido e com verdade!

CFV

sábado, 2 de abril de 2016

"Só se despede quem espera um reencontro"


Em jeito de despedida
vagueiam olhos meus
por paisagens mutantes
e ainda assim me parecem eternas…
Acompanham –me, desde sempre,
em repetições constantes
numa solidão muda…
Minha...só minha!

É minha, sim, esta terra que me desespera
em mais uma corrida de que é feita a vida…

Somos uma
num para sempre
que sempre se repetirá
entre estas e outras
constantes voltas
que me cantam ao ouvido
e me embalam em jeito de despedida…

Mais uma…

E o olhar perdido
que vagueou
volta partido
desesperado
por um abraço cheio
pelo teu regaço
que me fez quem sou…
e sem ele me sinto meia
ora vazia,
ora inteira…

Já é sem jeito
que esta alma resiste
num coração distante
onde a saudade construiu muros,
sonhos e lonjuras…

E entre a ilha – meu porto de abrigo
E tu, ó Terra de gente minha
espero pela volta
que me fará voltar a ti e a mim!



CFV

terça-feira, 22 de março de 2016

Dia da Poesia


Foi ontem o dia...
da POESIA!
Ela está em cada dia, 
a cada esquina, 
na tarde vespertina
e na noite soalheira,
no sorriso pequenino
e na lágrima traiçoeira,
que rola todos os males da alma
com uma calma que só pode ser
verso que vira estrofe
aberto irregular
poético e fugaz
como a vida é,
um poema por acabar...



CFV



sábado, 5 de março de 2016

Desatinos

Noites difusas
de cores distantes
de copos cheios
que em instantes
transbordam...


O sabor é de lágrimas corridas
sem destino
sem porquê
e tudo parece um desatino
num bater ritmado
alucinante
a relembrar
as lutas de uma vida
que ficaram por aí perdidas!

CFV




quinta-feira, 3 de março de 2016

Montanha russa

Resultado de imagem para montanha russaDepois da tempestade...
o arco-íris que brilha mais forte
o azul que rompe mais vasto
o mar que ondula numa rima cantante!

Fica a música da harmonia
de um mundo que se volta a crer
de um tempo que se quer maior
de um momento que precisa ser para sempre!

Depois da bonança...
volta o cinza que duvida
o escuro que fica
em noites tidas num para sempre
de chuva copiosa que bate bate
ao ritmo de um coração que já não se sente...

Segura-te ao depois...

Ele virá sempre,
é fechar os olhos no escuro
é abraçar com força o vazio
é ir ao fundo e vir ao de cima
é respirar, nem que seja o mofo
mas sentir,
ouvir,
crer,
que a vida é tanto mais do que isso!!

Num ir e voltar
num mais e menos
num muito e pouco
ora sem cor
ora vestida de arco-íris
ora noite
ora sol
ora dia
ora nada...
é a vida que a todos nos calha!

CFV

Só na saudade permaneço inteira

Deixo Viseu triste Sinto - o no cinzento que persiste  No frio fora de tempo  mas que o tempo insiste!.... Como ele,  Parto ensobrada Na sa...