sábado, 2 de março de 2019

Sem ti

Um mês de ti
Ausente
De uma saudade
Cortante
Um mês feito
De um novo para sempre,
Que grita,
Que dói,
Em mais uma volta!
E volto pela primeira vez
Para um lar partido...
Desta vez
Não estarão os teus (a)braços
E os meus serão
Apenas pedaços
Caídos
Lembranças de tempos
Idos!

Entro!
E ainda te espero
Mas uma vez dentro
Um soco no estômago...
Encontro o vazio
Em tudo o que era cheio de ti
Encontro o vazio
E o mesmo cheiro de ti!
Perco a coragem
Tremo por dentro
E choro desalmadamente!
Tenho tantas saudades
Fazes me falta
E morro aos poucos
Sabendo que um mês
Sem ti
É só o começo
Do que será  para sempre...

CFV

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Para sempre

Afinal
Eu não sabia
O que era distância
O que era saudade
Eu não sabia nada
Afinal
Da dor ou
O que era ausência
Nem sequer sabia
O que queria dizer
Para sempre...
Até tu partires...
Com tanta pressa
Que até aí
Eu nem sabia que era o tempo
Caprichoso e valioso!
Afinal
Pouco ou nada sabia
Do amor incondicional
Que fica
Mesmo na dor
Na ausência
Na saudade
Num novo significado
Para sempre!

CFV

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Vazio incomensurável

Partiste ...
No fim de uma gélida manhã,
Estavamos em janeiro...
partiste...
e o mundo ficou
Tão mais frio
Tão mais feio!
E durante dias a fio
O ar ficou denso
Difícil de respirar!

Partiste e deixaste esta dor,
difícil de suportar!
Fiquei de coração
Partido...
Cheio,
De um novo vazio...
incomensurável!

Assisti à tua caminhada final
Sem que a imaginasse...
de perto, de longe, de perto
sempre presente...
foste ficando mais distante
foste -te entregando
à tua fé
e de uma vontade corajosa de viver
e de uma esperança tão tua
foste aceitando a tua partida...
eu via,
eu sofria
eu não queria...
Mas nada podia!

Restou em mim este novo vazio
Um sobressalto constante
Sou sem ti, incompleta...
Ainda não há palavras suficientes
Para descrever a dor da tua ausência!

Eu sei,
(Que eu sinto-te!)
A tua Força está em mim
A tua Luz,
Eu sei,
Está sempre presente
Mas ainda é a escuridão
Que toma conta dos meus dias
Como um véu...
Passou a ser tão difícil olhar
Em frente,
Assusta muito
O que pode estar
Do lado de lá!
É este medo novo
Que sinto a cada suspiro...
E não sei como continua
A bater no meu peito
Um coração
Pois se vivo num limbo
Sem  sentido
Sem sentir
Num turbilhão!

Ah, se soubesses
Como me falta
A tua gargalhada
O teu sorriso
O teu abraço!
Faltas me tanto!
Faltas me em tudo!

E quando penso que vou voltar
Como sempre
Para ti, meu lar...
Mas que não vais estar...
Apetece- me gritar
Tanto, tanto,
Até ficar sem voz...
Mas fica preso
Entre lágrimas
E sai mudo
Este lamento!

Faltou-nos tempo, Mãe...
Agora faltas tu e já não podemos ser Nós...
Eu sei, nunca seria suficiente!
Só que agora o tempo deixou de ter sentido
E tornou- se o meu maior inimigo!

CFV

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Infinitamente... Como o nosso Amor ... Mãe

Fui tua e tu minha...Mãe!
Foram 38 anos 11 meses e 20 dias...
Mas precisava de ti até morrer...
Sei que não podia ser
Mas queria te cá
Mesmo na distância
Que tão bem sabias encurtar
Ouvir- te
Com orgulho de seres tu a minha Mãe
Ouvir-te sorrir só no teu olá
Ouvir-te a ti e à tua ligeira gargalhada
Nos teus preciosos parabéns!
Queria te cá
Para mais um aniversário
e outro e outro e outro....
Sei que não serias eterna
Mas como deixar- te ir
Como ver -te partir?
É Amor de Mãe e filha
Não tenho outro igual
Ainda não aprendi a ser sem ti!

No fim destes 38
Há este novo silêncio... ensurdecedor!
Sei que estás comigo
Sinto- o a cada noite que adormeço
Partida...
Banhada em lágrimas
Vazia
Ou
Submersa num mar...
...saudade...
Sei-te comigo
A cada sobressalto
que me acorda
E me leva
Imediatamente a ti!
Sinto-te comigo
A cada hora do dia
Numa memória
De agora ou mais antiga
Que traz a tua alegria
Num gesto que seria o teu
No sorriso de quem te queria bem
Na solidariedade
Que tão claramente
Semeaste nos outros
E nos outros
Ensinaste
E em cada um deixaste plantado
Um pedaço de ti
Um pouco aqui e ali
Desse tão teu
amor incondicional!
Sei que estás comigo
Encontro-te
como nunca
E ironicamente
Na tua fé
Que me chega
Lentamente...
E a cada dia
Essa tua força
Essa tua coragem
Essa tua vontade
De viver plenamente
Como bálsamo
Para as minhas dúvidas
Para a minha revolta!

Sinto-me contigo
Quando me intuiste
A cuidar do teu jardim
De flores
De gente
Da família
Que rego para ti!

No início destes 39 penso
Nos teus (a)braços,
Na tua voz reconfortante
No teu infinito amor,
Que senti até me despedir!

Queria te cá, Mãe
Era mais um aniversário
E outro e outro e outro...
Infinitamente...
Como o nosso Amor ...

CFV

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Mãe

Mãe!
A voar para ti
E no fundo de min
Ouço um tiquetaque
Cada vez mais sonante...
Da janela vejo a maior ironia da vida:
Nuvens suspensas 
A fazer lembrar
Uma vida ida
Feita na doce certeza
E na reconfortante leveza
De que te ia encontrar!
Simples, assim, tu és o meu lar!
Olho-te dentro do que sou
Lá fora este sol límpido
A ironizar
O meu caminho 
De que sou construída
Desde sempre perdido
Apenas e sempre norteado por ti!
Agora, sou este intenso breu!
Uma ponte que encerrou!
Olho - te no horizonte
Vejo- te a cada raio de sol
Imensa como este céu
Que em tantos dias
Nos acalentou
Que em tantas manhãs
Nos esperançou!
São tantas as memórias e as estórias
Nossas!
São tantas as despedidas, 
Minhas!
É certo!
Mas sempre com a doce certeza da vinda
E dos teus abraços que foram sempre os meus braços!
Agora, são muitas as lágrimas
E esta dor maior do que consigo suportar
Mas serão sempre mais mil sóis
Ficarão sempre mil vezes mil 
Os teus sorrisos e os beijos
Que de ti, recebi
Todos com sabor a promessa,
De que para sempre foste, és e serás o meu regresso!
Hoje que sou asas
Que estou tão perto
Sinto-me queimar e gelar
a cada golfada de ar...
Penso em ti, egoisticamente
Peço,
agora, que estou mais perto do céu,
Ao teu Deus,
Que me leve a tempo até Ti...
Repito te, Mãe,
Exaustivamente, Mãe,
E só te posso imaginar
De sorriso aberto
Para te abraçar!
CFV

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Distância errada

Se soubesses,
como estás aqui tão perto
como não me sais da cabeça
nem nunca do meu coração...
se soubesses
o quanto soa
a facas espetadas
esta distância errada...
Será que sabes?
Era aí que queria estar
Era aí que queria dormir
lado a lado, 
todas as noites 
abraçadas num sono nosso,
transformado em dias, para sempre!

Tudo o que visto parece demasiado apertado
a respiração é um sobressalto constante
o medo vai crescendo
como muros cada vez mais altos!

Ao fundo ouço palavras bem intencionadas 
só que soam barulhentas
e há momentos que são arame farpado
e só quero fugir para o meu canto escuro
encontrar- me com o silêncio
para poder soluçar 
num lamento desconcertante...

Tudo à minha volta 
é espuma que se desfaz
nada mais importa
a não ser este tempo
que entoa
um tic tac doloroso
um tic tac raivoso...

Nada me acalenta,
o tempo, 
não sei,
se é suficiente
ou se é inebriante
tudo me despedaça
e as palavras são vento
que cortam e secam
as mãos e os lábios 
gretados
enxangues
desta ferida aberta
que nunca mais sara
que nunca mais para...


Eu sei,
não sou nada
não posso nada
e que me veste esta roupa apertada
que me sufoca 
impotente
e, decadente
habita em mim toda a raiva
possível e imaginária
e outras mil revoltas
dirigidas a este
e a outros mundos
e a Deus
e aos deuses
de todas as cores e crenças:
NÃO, não aceito,
NÃO, não quero,
NÃO, não aguento!
Pois que, só assim me mantenho de pé
e sorrio para que o mundo fique aliviado
mas no meu
não há mais nada
e, volta meia volta,
volta esta escuridão pesada! 

CFV

domingo, 6 de janeiro de 2019

Asas

Vamos nesta viagem
Sobre as rodas do costume
Mas dentro de mim
Sao mil e uma,
As asas
Presas
Feridas
Que nunca mais saram
Que anseiam voar
Para bem perto de ti
Para bem perto de vós...
Esvoaçam em mim
Mil e um pensamentos
E numa só voz
Todos te encontram
Todos nos abraçam
Como se mais nada existisse
Como se as nossas almas se fundissem!
Vamos nesta viagem
Mais uma das mil e uma percorridas
Mas como esta
Nunca nenhuma foi tão sentida...
Deixo -vos partida
Levo-vos comigo
Numa nova saudade
E junto-a a esta impotência
Que me veste
E à única vontade
Que me resiste
Uma volta definida!
Vou nesta estrada
Tantas vezes percorrida
Levo-vos comigo
Neste meu olhar perdido
Num desespero infinito
Que teimosamente
Transformo em prece...
Todo e qualquer gesto
É a Deus e aos deuses
Que peço
E a quem mais houver
Neste e noutros mundos,
Que vos pare no tempo
Até ao meu regresso!
CFV

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Oração

Penso penso penso
Como quem reza
E só tu cabes
no meu pensamento
Só tu cabes
No que sou...
Como?
Porquê?
A ti?
Não há fé que justifique
Clamo num desespero mas
Não há razão
que acalme o coração
Nem sentidos que não chorem as tuas,
As nossas lágrimas,
Não há senso comum que faça sentido
E não há momento em que não me revolte!!!
A ti?
Que me és tudo!
Que te preciso!
Que mundo resta se só te houver em silêncio?
Que mundo é este se não te puder ouvir?
A ti?
Que foste
O Tudo
O Muito
E O Tanto...
Que o tanto és
Como o quanto podes dar...
Não há sentido
Como não pode haver terra
Sem mar ou serra
Sem norte ou sul...
E se o mundo não te puder ouvir,
Berro eu como animal ferido
Num clichê do tamanho do mundo
O "Ai de mim"
E o "Ai do mundo",
Se nao estiverem mais presentes
As tuas palavras,
De sossego
De conselho
De aconchego
De cabeça descansada no regaço
(o teu que é único e meu)
De abraço cheio e sorridente
(Sempre capaz de me encher o vazio constante,
Sempre capaz de quebrar a distância na simplicidade do teu riso quente!)
Aí! Que soaria o mundo
Sem esse teu dom
Da palavra cheia
E de uma força
Incalculável?
Se de mim te calarem,
Ai de mim
Se não for eu, para sempre, a tua voz
Se não te levar comigo a cada luta
No regaço que foi o teu, nosso e agora meu!
Porque desde sempre e para sempre que sou tua...
Daqui até à lua, só tu cabes no que sou!
CFV

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Entre o sorriso e a tristeza

E é tão difícil sentir este Medo
Que é meu
Que é teu
Que é nosso
Todo num só...
É um Monstro que assusta baixinho
E que grita no silêncio de hora a hora
Noite fora
E de madrugada
Acorda de sobressalto
Num susto sem fim...
Morde aqui e ali
Sem deixar esquecer
Esta dor gélida que
Abocanha sem piedade
A esperança
A espreitar
A lembrar que
Sem ti,
Só há escuro
Sem nós,
não há memória
Nem sei o que perdura...
Sem ti,
não existo
Sem nós,
Nada importa
Não há saída
Só procura
Pela porta
Que te encontre
Que nos encontre
do lado de cá
No nosso abraço
Eu e tu e o teu regaço...

A rotina quer- se a de sempre
Mas o vazio
É um poço sem fim
É água parada que aumenta
E eu cada vez mais submersa...

Olho- te de olhos impotentes
Murmuro súplicas
E tudo o que me apetece fazer
É agarrar te sem nunca te perder
Porque talvez assim
Nada te arranque de ao pé de mim e...
Num abraço sem fim
quem sabe te curasse
E te fizesse ficar para sempre
Eu e tu e o teu regaço...

E seguem as voltas do costume
Na tentativa de dar sentido
Às mil e uma dúvidas que cercam mas... 
Aos poucos vence este Medo
Aos poucos este Monstro cresce
E dentro do que me resta
Grito num grito mudo
Este desespero que me quebra
Fecho os olhos numa fé tamanha
Choro como quem reza
Faço figas e numa prece
Nunca desejei tanto o fim de um pesadelo!

Que eu não me sei sem ti!
Que sem ti, que será de nós?
Que sem nós a minha alma desfalece...

Seguem os dias marejados de lágrimas
Que se misturam com sorrisos tristes
Numa tentativa de trazer à vida
Uma normalidade que não aparece...

CFV

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Ferida aberta

Instante que tarda em passar
tempo que tarda em ficar
sinto -te a escapar
entre os dedos
que nem areia
numa madrugada gélida
que nem vento
que corta a fio de navalha
sem metáforas ou eufemismos
num sarcasmo
cada vez mais real!

É uma espada afiada
Imagem relacionada
É faca aguçada
trespassa-me devagarinho
numa ironia doentia
e aos poucos
os pedaços de que sempre fui feita
são ferida aberta...

Fecho os olhos
num laivo de esperança
adormeço aos soluços
sonho e acordo
e o que vejo é um breu
e esta dor tamanha
que em mim restou
num para sempre incerto...

Abriu- se este poço
sem fundo
sem princípio ou fim
não há céu
quanto mais estrelas
não há tempo
e os instantes teimam em se alongar
nesta espera dolorida
sem cor
sem luz
sem ti!

Conto os dias
numa distância
nunca antes assim sentida...

Cruzo os dedos
numa fé nunca antes minha...

Procuro motivos
e encontram-me todos os deuses
que habitam este e outro mundo...

E fica
este escuro desespero...


CFV










Só na saudade permaneço inteira

Deixo Viseu triste Sinto - o no cinzento que persiste  No frio fora de tempo  mas que o tempo insiste!.... Como ele,  Parto ensobrada Na sa...