" A intensidade da tempestade é inversamente proporcional ao tamanho do corpo!"
terça-feira, 7 de março de 2017
Mar salgado de medos
Aqui se encerram paredes
com certezas
ora de outrora
ora de outros
portas esguias
erguidas,
ripa a ripa,
na incerteza atrás de incerteza...
ficaram assim
altas a perder de vista...
O olhar procura
anseia uma saída
e dele só raios
de uma esperança fugidia
queimam sonhos
incendeiam dores
e, no fim, são cinzas
raivas incompreendidas
que por aqui ficaram
que por aqui se encerraram...
Os dias são inúteis
a vida apertada
o tempo foi espremido
neste corpo minúsculo
cada vez mais inerte
cada vez mais invólucro
cada vez mais vazio
um rio parado
pedra que se desfez
num mar salgado de medos...
CFV
domingo, 1 de janeiro de 2017
Memórias e ânsias
entre instantes eternos
numa vida escorrida
de poucas demoras
de longas conversas...
sumarentas
quentes
bem regadas
e aconchegantes
como que lã entrançada
qual cachecol
de amigos e família
perdidos e achados
numa vida feita de despedidas!
Lá fora,
a solidão e o desejo,
em mais uma partida
em mais uma ida,
acompanham
uma paleta de cores
verdes de esperança
e os laranjas outonais
envolvidos numa névoa gelada
a dizer que o Inverno já deu a sua entrada!
Correu o Natal
e não se demorou
o janeiro
a vida é isto:
viagens feitas e tantas por fazer,
entre memórias e ânsias
saudades e abraços
uns dados
outros por abraçar...
de histórias vividas e mil por viver,
sensações e emoções que ficaram
e outras que ficam ainda,
a marinar...
Até à próxima!
ah! Vida corrida!!!
regada a instantes
de uma vida sumarenta
de idas e partidas
repasto de encher a alma
num doído e reconfortante,
Até já!
É primeiro de janeiro,
Portugal está soalheiro!
O sol bate no vidro
ilumina o meu caminho
gelado pela última madrugada
que findou e iniciou mais um ano inteiro!
CFV
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Lenha para a alma
Dezembro, mês de
promessas cumpridas
esperas findas
abraços apertados!
Volta o frio
embalado pela
lenha que crepita
num coração desfeito
de idas
e desavindas
de idas
e desavindas
frio da distância
pedra de saudade!
Venham as noites
geladas
sorvidas
entre copofonias
de sorrisos
dos amigos
e repastos
servidos com aquela magia
só possível na família!
Dezembro, mês de
braços entre abraços
olhares que são beijos
lágrimas quentes e salgadas
a saber a um mar de alegria
e à espera, finalmente, finda!
CFV
Venham as noites
geladas
sorvidas
entre copofonias
de sorrisos
dos amigos
e repastos
servidos com aquela magia
só possível na família!
Dezembro, mês de
braços entre abraços
olhares que são beijos
lágrimas quentes e salgadas
a saber a um mar de alegria
e à espera, finalmente, finda!
CFV
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
VOOS
Ela tem medo de pensar
e ao pensar...
sentir-se e contorcer-se
naquelas contradições
feitas de pedaços
que a despedaçaram
em mil
e em mil pedaços
reconstruíu-se inteira...
Ela tem medo de pensar
que, assim, não sabe estar...
que esta pele inquieta
envolve um corpo inerte...
e quando acordar?
a pele ainda lhe vai caber,
ou vai rasgar?
o corpo vai definhar,
ou finalmente vai VIVER?
Ela não sabe o que sentir
de tanto pensar...
Volta meia volta
o pensamento voa
baixinho pelo meio do silêncio
mas volta de mansinho...
vai com medo do ruído
e do que ele lhe pode fazer
voa mais uma vez
vai com ganas de que volta
mas volta sentindo
que um dia pode lá ficar...
Ela de tanto sentir
não sabe já o que pensar!
CFV
e ao pensar...
sentir-se e contorcer-se
naquelas contradições
feitas de pedaços
que a despedaçaram
em mil
e em mil pedaços
reconstruíu-se inteira...
Ela tem medo de pensar
que, assim, não sabe estar...
que esta pele inquieta
envolve um corpo inerte...
e quando acordar?
a pele ainda lhe vai caber,
ou vai rasgar?
o corpo vai definhar,
ou finalmente vai VIVER?
Ela não sabe o que sentir
de tanto pensar...
Volta meia volta
o pensamento voa
baixinho pelo meio do silêncio
mas volta de mansinho...
vai com medo do ruído
e do que ele lhe pode fazer
voa mais uma vez
vai com ganas de que volta
mas volta sentindo
que um dia pode lá ficar...
Ela de tanto sentir
não sabe já o que pensar!
CFV
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Entre marés e montanhas
Foi numa lua brilhante que te deixei
cheia de contradições
numa alma já de si partida
aos tropeções,
num crescente de saudades...
Outras luas passaram
nestes dias audazes
de eternas amizades...
enchemos copos
e bebericamos
devagar as novidades
em tragos que engoliram
outras tantas saudades...
Agora que regresso
brilha novamente
cheia de vontade
uma lua nova
dos cheiros
e dos murmúrios
do costume!
Traz-me a vontade
escondida mas sempre sentida
de te abraçar
e esse ondular
de que é feito esse meu,
cada vez mais meu,
porto de abrigo!
Será sempre cheia
a lua que me fascina
porque cá dentro nunca mingua
este manto que me cobre
e me arrasta em constantes distâncias
e me traz suspensa
entre marés
e montanhas
de fazer perder a vista!
CFV
cheia de contradições
numa alma já de si partida
aos tropeções,
num crescente de saudades...
Outras luas passaram
nestes dias audazes
de eternas amizades...
enchemos copos
e bebericamos
devagar as novidades
em tragos que engoliram
outras tantas saudades...
Agora que regresso
brilha novamente
cheia de vontade
uma lua nova
dos cheiros
e dos murmúrios
do costume!
Traz-me a vontade
escondida mas sempre sentida
de te abraçar
e esse ondular
de que é feito esse meu,
cada vez mais meu,
porto de abrigo!
Será sempre cheia
a lua que me fascina
porque cá dentro nunca mingua
este manto que me cobre
e me arrasta em constantes distâncias
e me traz suspensa
entre marés
e montanhas
de fazer perder a vista!
CFV
domingo, 11 de setembro de 2016
Culpas
Acordamos dias e dias,
dias a mais
com o horror nos olhos!
Adormecemos vezes e vezes,
vezes sem conta
na dor que transformou o mundo!
Acomodamos o silêncio
nos nossos corações
numa cumplicidade suspeita
vestida de impotência coletiva!
Já basta! É GRITO que se prende na garganta!
A nossa voz ainda se desprende entre vontades mudas
e palavras sentidas
de silêncios desmedidos...
A deles já se afogou
nos gritos mudos e vãos
no sangue que corre por todas as mãos...
Haverá ainda um amanhecer
de mãos dadas
sem distinções
num único bater de corações
sem culpas erradas
sem gritos silenciados
sem cumplicidades culpadas!
CFV
dias a mais
com o horror nos olhos!
Adormecemos vezes e vezes,
vezes sem conta
na dor que transformou o mundo!
Acomodamos o silêncio
nos nossos corações
numa cumplicidade suspeita
vestida de impotência coletiva!
Já basta! É GRITO que se prende na garganta!
A nossa voz ainda se desprende entre vontades mudas
e palavras sentidas
de silêncios desmedidos...
A deles já se afogou
nos gritos mudos e vãos
no sangue que corre por todas as mãos...
Haverá ainda um amanhecer
de mãos dadas
sem distinções
num único bater de corações
sem culpas erradas
sem gritos silenciados
sem cumplicidades culpadas!
CFV
sábado, 10 de setembro de 2016
Fim?
Leio-me com espanto
leio e releio,
à minha procura
mas são tentativas vãs
que me relegam para o escuro
do que de mim resta...
Não sei onde me encontrar!
A mão corre ao sabor do pensamento
o coração empedernido
não deixa de bater
num movimento constante
numa dor inquietante...
E a tinta discorre irregular
sem ideias de verdade...
O mundo deixou de me inspirar
as pessoas continuam vazias
e a alma que me habita em mil eus
deixou de se importar...
CFV
leio e releio,
à minha procura
mas são tentativas vãs
que me relegam para o escuro
do que de mim resta...
Não sei onde me encontrar!
A mão corre ao sabor do pensamento
o coração empedernido
não deixa de bater
num movimento constante
numa dor inquietante...
E a tinta discorre irregular
sem ideias de verdade...
O mundo deixou de me inspirar
as pessoas continuam vazias
e a alma que me habita em mil eus
deixou de se importar...
CFV
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
"Só é fogo se queimar..."
Arde sempre
esta tamanha vontade de ficar
quando se quer tanto partir...
Queima lentamente
o que me fazes sentir
quando te olho adormecido
numa última lua
que brilha como quem brinda
à minha e à tua...
Que seja à nossa!!!
E o vento chama pela minha gente...
Dentro
nada acalma
e lá ao fundo a música canta
o que me vai tão claro na alma:
"Só é Felicidade enquanto durar..."
É o costume,
é certo!
mas dói... lentamente... sem se apagar
este ir e voltar
toldado por um simples, se calhar!...
CFV
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Marés
Num tempo que se entremeia
entre o cá e o lá,
o coração bate incerto
entre a saudade e a ansiedade,
no fim de um tempo
E sempre, sempre
esta espera
este medo
o voltar
o ir
para cá ou para lá!
Dividida
partida
vivida
em mil alegrias
doída
perdida
vencida
mil vezes mil,
nesta saudade
sempre agarrada à ansiedade...
O que virá?
Como será?
Voltará o mar?
Que esta alma já ganhou guelras
não respira
sem o ouvir bater nas rochas
numa corrida tempestuosa
entre ventos e marés...
Que este olhar
já ganhou um novo horizonte,
já só vive procurando tempestades
para entardecer soalheiro,
entre mil cores e mil cheiros
trazidos por ventos viajados,
desde longínquos marinheiros
às mil e uma noites traiçoeiras
e aos mil cantos perdidos e achados...
E chega, assim, cheio de mundo
para nos embalar nessas lonjuras
conhecidas e desconhecidas
de vidas idas
sem tamanho...
e traz-nos à lembrança
esta saudade ansiosa
do que está lá,
e do que está cá!
CFV
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Conformar o inconformismo
Cresci no inconformismonuma adolescência interminável
a recomeçar dia após dia,
na revolta escura das noites claras...
E esta sede que me não passa
E esta sede que não me seca!
Alma nascida submersa
e crescida num sufoco
num corpo apertado
sem nunca ter passado
de invólucro...mil vezes inerte...
Fui sempre esta fome de ser
sem saber quem ou o quê!
De mil formas procurei viver
perdi-me entre mim e as luas
que me pareceram sempre cheias
nessas muitas lutas!
Queria outra de mim
encontrei-me em mil
despedacei-me mil vezes mil
e coexisti com todos os mil eus
nessa luta de me encontrar una...
Apenas me desencontrei...
E que mais serei?
Se só me conformo
no inconformismo,
no que penso que preciso
para depois de alcançado ser jogado
qual brinquedo sonhado...
O que me interessa
estará sempre
além
longe
do que posso tocar
perto
só o sonho
o que não tenho
o desejo
e o viver neste
desavesso...
Imaginar só o que a vida não é
saborear o que não conheço
porque o que me segura
é esse querer
a procura
incessante
de um falso encontro
num contínuo almejar
sem quebrar
esta fome que me ataca as madrugadas
e esta sede que mantém viva a luz
de dias e dias
e me encontra perdida entre mundos!
CFV
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