sábado, 5 de dezembro de 2015

Agridoce

O coração bate incerto
numa alma dividida
decidida
sem coragem...

Momentos simples
que transformam
decisões irrevogáveis
que te deixam assoberbada
de coração na boca
e de mãos apertadas,
uma na outra
num impasse ridículo..


Será?
Estará tudo escrito??

Assaltam os pensamentos
sem saber
sem entender
se era aqui que
tinha de estar
se seria aqui
desde sempre
o lugar!

O que deveria ser só um clique
passou a dor imensa
com a saudade
a distância
e os porquês
que continuam
sem resposta
num ser que já não sabe
o que é viver inteiro!

CFV

domingo, 22 de novembro de 2015

Desengano

Desengano
destino de sempre...
E por mais ruas que percorra,
o diferente acabará sempre igual...

Desespero 
a única palavra real
para quem respira
sufocada em medo...

Perdida
num labirinto tal
que o instinto
é só fatal
para o juízo!

Vive
quem tem calma
Morre
quem tem alma 
inquieta
renasce 
incerta
a cada suspiro
de quem sempre vai sentir
este desengano tamanho!

CFV


 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Fins de tarde

São sonhos
que queimam
os olhares
que congelam
o momento...

Instante
que muda tudo...

E sem parar
a vida voa
num impulso picado
a rasar o sol e a lua
numa aproximação
impossível
tornada real
pela imaginação...

Feita de castelos de areia
e de fins de tarde a escaldar
e de uma vontade indefinida
de juntar
a pele e o mar
num sentido só
num misto
de medos e ousadias
guardados e perdidos
num sem fim de mundo
que teimam, agora, em acordar!

Respira fundo e descompassado,
coração imprevisível,
volta à vida que já sabes, incerta
certo de que a viverás
sempre
em manhãs submersas
em noites fugazes
e que a ti, só pode pertencer o luar
quando, caprichoso, decidir brilhar!

CFV




quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sombras

É a sombra
que paira
no céu mais azul 
que brilha 
entre a brisa mais fresca...
tão fresca ...
de fechar os olhos 
e sentir tudo...
tudo o que haveria de vir
e nem aí vimos o escuro 
que já aparecia
que se entranhava na pele
e nos respirava em cada poro
e nos suspirava inquieto
entre flashes 
enganadores
sufocantes 
de sabor a fel...
Não vimos que só nos tirava o fôlego
que só nos cegava a calma 
lentamente
e um pouco mais 
e um pouco menos 
de nós
num crescendo de sombras
que nos escondem a alma
deixando-nos um pouco mais
sós
num eterno movimento
de esperanças e dores
num jogo pérfido
de sombras vivas
que matam
os últimos brilhos 
que nos levam os últimos raios de luz
numa despedida previsível 
mas que ainda assim julgávamos impossível...
E o sol que nos abandonava quase secretamente
e um céu que nos levava o azul e o quente
e o fim
de cada dia
que não passou de mais uma promessa perdida
e o fim
previamente anunciado
a cada manhã...
Sobrou apenas o invólucro
que nos reveste o escuro de que sempre fomos feitos:
seres imaginados
a querer  mais quando tinhamos de sobra
seres imperfeitos
a desejar o que nunca foi para nós
o amanhã quando não vivemos o hoje!
E quando desejámos que fosse Tudo
só corríamos atrás do Nada!
E quando sonhámos
e voltámos a sonhar,
de tanto sonhar 
pareceu tão real...
mas o brilho do escuro já estava lá
vestido de quente e azul fresco!


CFV

Petição ao coração

Vale mais nunca esperar
Vale mais nunca querer
Para quê?
Vale mais não esperar...
Acabar
antes de começar
Adormecer 
antes de sonhar
Querer
só a chuva
Quem precisa do céu estrelado?

Vale mais nunca ter imaginado
O sempre que será sempre nunca
O agora
que nunca chega
e o amanhã
que sempre traz tristeza!

Vale tudo
Menos desejar
a incerteza
o friozinho na barriga
o brilho no olhar...
É acabar tudo
antes que tudo vire castigo!

O tempo pode simplesmente ser o nosso pior inimigo!

CFV


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O JOGO DA ESPERA

É como sereia louca e enganadora
com promessas de amores
que crescem na alma
até que a boca já não se cala!

É como corpo escorregadio
que te escapa
contorcido
numa perseguição
sentida
pelo que a boca disse
à alma sedenta
de acreditar
mesmo sem ver...

É o sonho que te veste
e a realidade que te desnuda
no jogo da expectativa
aquele que, tanto à partida
como à chegada
nunca tem vencedores...
nos desamores
o labirinto faz-nos
perdidos,
cegos,
sem nos sabermos desde sempre vencidos!

CFV








segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Será do dia que vira noite

Será do dia que vira noite
ou do sol que vira chuva
que a vida é insegura
e a morte uma certeza
que nos embala
a vontade de errar!

E ainda assim
sem nunca deixar de tentar!

Até que a morte nos separe
desta contradição que é viver
e nos pare, sim,
mas sem nunca nos vencer!...

E assim nunca haverá fim
nem noite
a escurecer o dia
nem sol
feito em nuvens
feitas das dores do mundo
desfeitas em chuvas!

Não haverá medo do erro
porque em cada peito
os amores e os desamores
serão o erro delicioso
de uma certeza que nos embala,
viver é o pouco que nos aquece a alma!

CFV











quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O tudo ou nada que se foi...

A pior coisa é não saber
ou será desconfiar?
Esta certeza vestida de dúvidas
que o olhar disfarça...

A razão sem precisar
o que o coração não ultrapassa!

A pior coisa é ter sem poder
alcançar
o querer muito
esquecer
o que voou da mão
numa certeza
do que já se foi
do que já se teve
e nunca se agarrou!

E quando tudo é agora ou nada
a melhor coisa é deixar ir
a cada volta
a mil idas
voar atrás
vestir uma segunda pele
feita da incerteza
numa tentativa
de deixar crescer
o que ainda há-de ser!

CFV





quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A Morte da Criação

Morreste-me
nas mãos
e levaste contigo
a essência
que era minha!

Percorreste- me
moribunda:
primeiro
pelos braços
dormentes
depois certeira
engoliste-me o chão
caíste comigo
numa estranha escuridão
e nela o teu abraço
desse manto frio
tão teu, só teu...
até que me
perdeste de mim
até que me
deixaste sem mãos
que me caibam nestes braços
que impiedosa
arrancaste de mim...
e numa morte lenta
transformaste -me a alma
sedenta
num labirinto
onde nunca se vê o fim...
ainda hoje a procuro
nesse teu e só teu breu...
ainda hoje a eternizo
em tentativas
vazias de qualquer razão
em sonhos que vêm e vão!

Desconfio
que também a levaste de mim!

CFV

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

(Des)Humanidades

De dentro de mim
sai por aí
este monstro que me habita...

Cresce e grita
a cada palavra cruel
desdita com sabor a fel...

Dobra-me em esquinas
com a força de quem desatina!!

Desdobra-se a cada lágrima
que vai virando oceano de dor
e  ali fica num ondular,
a fazer crescer o monstro que
não pára de gritar!

Leva o que resta de mim
por essas ruas sem fé!!

Abraça-me prisioneira
por esse mundo
despido de alma
e devolve-me ao escuro...

Talvez para que eu não o possa ver!!!

Dentro de mim
sou mil
e a cada anoitecer
habita-me este monstro
desumano e perdido
que cresce e grita
num escuro sem fim!

CFV

Só na saudade permaneço inteira

Deixo Viseu triste Sinto - o no cinzento que persiste  No frio fora de tempo  mas que o tempo insiste!.... Como ele,  Parto ensobrada Na sa...